Mostrar mensagens com a etiqueta lixo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta lixo. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Residentes da Matola-rio na luta contra o lixo nas ruas




Esta manhã os residentes da Matola-rio decidiram lutar contra o lixo que se encontrava acumulado nos diferentes pontos do bairro. Tratava-se do lixo depositado pelos próprios residentes, mas também pelos residentes de outros bairros. Estes últimos transportam regularmente, na calada da noite, o lixo produzido nos seus bairros e vêm depositá-lo em vários locais da Matola-rio.
A solução encontrada pelos residentes foi a de se reunir para juntos fazer desaparecer o lixo e sensibilizar todos os residentes a abrir covas em seus quintais para depositarem os seus resíduos.
Matola rio faz parte do distrito de Boane, recentemente elevado à categoria Município. Esperamos com esta municipalização que Boane possa beneficiar de mecanismos eficazes e eficientes para a remoção e, se possível, a reciclagem do lixo. Esperamos ainda que não só o distrito seja municipalizado, mas também que se criem mecanismos para que os seus habitantes sejam cidadãos dignos de residir num município. Precisa-se de cidadãos que não deitem lixo nas ruas do seu bairro, que não saiam com o lixo para deitar em outros bairros e também que reprimam os indivíduos que transportam o lixo dos seus bairros para deitar os outros.
Os residentes do bairro da Matola-rio mostram que já são e estão a torna-se cada vez mais “BONS CIDADÃOS”.
Parabéns aos residentes da Matola-rio que consagraram uma parte da sua matina à limpeza do seu bairro. Que os outros bairros aprendam algo desta acção para limpar e manter os seus bairros limpos!
Juntos na luta contra o lixo e as doenças! Abram o Olho.

sábado, 8 de junho de 2013

Bem-vindo à cidade de Maputo, cuidem-se das covas nos passeios!



Nesta cidade devemos andar rastejando. Se andarmos a galopes como o fazemos habitualmente, ficaremos sem as nossas pernas. Tive a vontade de escrever sobre este assunto quando vi uma criança turista quase a cair numa das covas que se encontra em frente da catedral de Maputo. A criança estava a tentar encontrar uma posição adequada para tirar uma fotografia da catedral quando o seu acompanhante gritou para que ela tomasse cuidado.
 
Há covas semelhantes àquela, visíveis em quase todas as ruas da nossa bela cidade. Mas, não sei se são suficientemente visíveis à noite para serem evitadas. Não me estou a referir às covas provocadas pelas chuvas ou pelo desgaste das estradas provocado pelos automóveis. Refiro-me às covas racionalmente construídas com um determinado objectivo, mas que parecem ter ganho outros significados e já têm outras funções.
Na minha cidade, essas covas são usadas como latrinas, banheiras, poços de água para a lavagem de carros, latas de lixo e armas brancas. Como armas brancas, diria eu em jeito de brincadeira, devem estar a ser usadas pelo Estado moçambicano para quebrar as pernas dos manifestantes. Mas, não só os manifestantes circulam por esses passeios, há turistas que de nenhum modo podem ser vistos como manifestantes. Gosto muito de brincar. Isso faz-me muito bem! E, como latrinas, banheiras, poços de água para a lavagem de carros, latas de lixo são, não raramente, as utilidades que os cidadãos atribuem a essas covas. Mas, apesar dessas funcionalidades, entendamos que essas covas são uma verdadeira ameaça à saúde física e mental de todos os que circulam pela cidade.
O medo de cair numa dessas covas, faz com que os cidadãos ocupem a sua mente com mais um elemento ao qual se devem adaptar para circular quase tranquilamente em Maputo. Alguns cidadãos já se adaptaram ao lixo e convivem com ele de forma quase que natural e reproduzem-no. Mas, não é o lixo que aqui nos interessa. São as covas que não devem ser tapadas com terra batida, mas com a aplicação dos conhecimentos científicos e aparentemente racionais que foram usados para a sua construção.
Entendendo que do mesmo modo que se afirma haver falta de meios para a resolução dos vários problemas de saneamento na cidade de Maputo, a questão relacionada com as covas possa ser vítima das mesmas razões. Assim, nós, os cidadãos de Maputo, teríamos que tomar medidas que nos protejam da vergonha e que possamos circular tranquilamente nesta cidade, sem temer danos físicos nos nossos organismos. Tentemos nos alertar todos para tomarmos cuidado. Poderíamos, por exemplo, colocar sinais de perigo em toda a cidade. Na entrada da cidade: Bem-vindo à cidade de Maputo, cuidem-se das covas nos passeios! Perdoem-nos, ainda não temos meios para tapá-las.

domingo, 21 de abril de 2013

O Governo é empregado doméstico do povo?


Moçambicanos, nós espalhamos o lixo que nós produzimos por toda a cidade e afirmamos que o Governo é que é o responsável pela sua recolha. Mas, constatamos, já há muito tempo, que o responsável não se ocupa das suas tarefas e não sabemos por que razões.
É através do nosso voto de confiança que atribuímos a um indivíduo ou a um grupo o papel de nos governar e ele(s) convida(m), por sua vez, os seus ‘‘amigos’’ para o(s) auxiliarem governação das nossas pessoas. Assinamos um contrato com ele(s) ao depositarmos nele(s) o nosso voto. É assim que o afirmam os filósofos contratualistas, se não me engano. O(s) nosso(s) governante(s) têm direitos e deveres e nós também. Deste modo, temos o direito de exercer a nossa influência sobre ele(s) de modo a melhorar(em) as nossas condições de vida e nós também temos que colaborar para que o trabalho dele(s) seja efectivo. Temos que verificar se as suas promessas estão ou não a ser cumpridas e questionarmos em caso de incumprimento. Eu gostaria ainda de poder sancioná-lo(s) em caso de incumprimento, mas duma maneira em que as consequências das ditas sanções recaíssem somente sobre ele(s).  
O problema que se coloca é que nós nos esquecemos de colocar no nosso contrato, as sanções pelo incumprimento das suas promessas. Fazemo-lo de forma arbitrária (espalhamos lixo pelas ruas, partimos garrafas nas praias, urinamos nas árvores, e postos de iluminação da cidade, queimamos lixo nos contentores, etc). Quando votamos, nós nos esquecemos de informar aos nossos dirigentes que queremos que eles recolham o lixo que nós espalhamos pela cidade e não somente o que se encontra nos poucos contentores disponíveis na nossa cidade. As nossas sanções são debatidas informalmente nas barracas e ‘‘chapas’’, geralmente na ausência dos governantes, e são imediatamente aplicadas. Penso que sancionamos injustamente os nossos governantes, as nossas cidades e os nossos bairros e sobretudo a nossa saúde.
Não é o Governo que circula todos os dias pelas avenidas e ruas das nossas cidades, somos nós. Não é o Governo que espera o ‘‘chapa’’ num lugar imundo, somos nós. Não é o Governo que nada na praia suja e com garrafas partidas, somos nós. Não é o Governo que se alimenta em lugares sujos, somos nós. Vejam que pensamos estar a sancionar o outro, mas na realidade nós nos auto sancionamos da forma mais selvagem.
Se quisermos sancionar o nosso Governo, temos que mudar de contrato. Temos que assinar um contrato no qual os nossos governantes deverão, provavelmente, desempenhar o papel dos nossos empregados domésticos (no sentido moçambicano) e poderemos sancioná-los como bem entendermos, desde a tortura (psicológica, física, étnica, cultural) até a expulsão sem indemnização. Mas, teremos antes que nos certificar da eficácia e eficiência de tais sanções.
 
Prestemos muita atenção nas sanções que aplicamos aos outros. Não institucionalizemos a sanção do espalhamento do lixo na cidade como algo cujas consequências recaiam somente sobre o Governo, pois este comportamento mostra que estamos muito equivocados em relação a sua funcionalidade.




Juntos por uma cidade e um bairro limpo…

terça-feira, 2 de abril de 2013

A cor do cheiro !



Na minha escolinha aprendi que o ar é uma matéria gasosa sem cor, cheiro, sabor, forma e nem tamanho determinado. Eu gostava da disciplina que se chamava Ciências Naturais. É realmente nesta disciplina que aprendi isso. Quando eu saía da escola, conseguia confrontar com a realidade tudo o que estava escrito no livro, o que o professor repetia e nós também repetíamos, O ar não tem cheiro! O ar não tem cor! Víamos e sentíamos isso nesta nossa cidade.
Mas, no meu actual país e cidade, esta verdade já não é evidente. Encontro-me numa cidade cujas fotografias tenho vergonha de mostrar aos meus amigos. Receio que eles exijam máscaras de proteção das narinas antes de ver as fotos. – Assim falava lamentando o meu avô Wakampfumu.
É uma realidade em Maputo vermos lixo que desfila pelas ruas e grandes avenidas da bela cidade. Os cidadãos afirmam geralmente que isso ocorre pela falta de contentores para neles colocarem a imundice. Será essa a real razão? Pelo que vejo existem contentores de lixo na cidade embora insuficientes.
Diz-me por que tu deitas lixo nos passeios, ruas e estradas desta cidade, oh cidadão!

Tu mesmo reconheces que a falta de contentores é um falso discurso que tu produzes e reproduzes nos mais novos, para poderes te livrar do lixo em qualquer ponto da cidade. As vezes dizes que deitas a tua embalagem de rebuçado no chão porque a cidade já está suja e que um simples papel não acrescenta nada. Não imaginas quantas pessoas estão a praticar o mesmo acto naquele momento!
Será a limpeza da cidade apenas da responsabilidade do Governo ou do Conselho Municipal como tens afirmado? E nós como cidadãos, qual é o nosso dever? Vamos defender a nossa legitimidade de deitar o lixo no chão por falta de contentores?
Não pretendo desta maneira procurar culpados pelo lixo espalhado pela cidade e artérias de Maputo. Pretendo é levar os cidadãos residentes ou não desta cidade a reflectir sobre a aparente normalização da convivência com o lixo na nossa urbe.
Uso a expressão ‘‘aparente normalização’’ por considerar que eu possa me estar a enganar ao afirmar que não haja cidadãos (des)preocupados com a limpeza da cidade. Então, reservo espaço para que se expressem e mostrem que reconhecem este problema como uma realidade cuja resolução não depende de um nem do outro indivíduo ou grupo, mas de todos nós.
Devemos todos colaborar para que a nossa ex-Lourenço Marques não seja mais uma cidade em que o cheiro ganha cores representativas e simbólicas. As cores das nossas ruas, avenidas prédios não devem simbolizar a cor do cheiro nauseabundo. Esta cidade deve resgatar as suas cores e criar novas mais agradáveis aos olhos e às narinas. Ah, a cidade das acácias! Não criemos discursos falsos para legitimar a presença de lixo na nossa cidade, mesmo reconhecendo que ela já esteja suja. O meu avô Wakampfumu deve recuperar o seu sorriso e tirar a vergonha de mostrar as fotos da sua querida cidade aos seus amigos estrangeiros nacionais e internacionais nesta bela urbe das acácias.
A responsabilidade é toda nossa como cidadãos vivos!!!

sábado, 2 de março de 2013

Solução para problemática do lixo em Maputo

A conferência começaria dois dias depois. Penso que seria numa segunda-feira e exactamente naquela grande cidade capital daquele país da África Austral. Estavam lá representantes de vários países bem desenvolvidos e tinham como objectivo traçar novas estratégias de cooperação entre os países ricos e pobres.
No início da conferência, cedeu-se um minuto consagrado a conversa sobre a viagem de cada um dos representantes e comentários sobre o acolhimento desde o aeroporto até aos vigésimos andares dos prédios onde estavam alojados. Lá mesmo onde tiveram que trepar pelas escadas pois os elevadores já não existiam. Já tinham sido exportados para em seguida serem reimportados, já não como elevadores para os prédios mas como elevadores que circulam na fina rede rodoviária do país.

Cada cidadão estrangeiro que tinha entrado no país e naquela cidade não desperdiçou o primeiro minuto para retratar com maior entusiasmo as maravilhas que tinha visto. Tinham apreciado tudo o que se encontrava na rua com tanta cobiça.

– Esse país é muito rico hein… – Dizia um deles abanando a cabeça de frente para atrás batendo no seu peito com o queixo.

– Eles têm aqui muita coisa que não existe no nosso país… – dizia o outro e os outros iam seguindo.

– É mesmo, quando eu voltar para o meu país, vou dar o relatório ao meu chefe para ver se importo toda essa riqueza.

– Mas como conseguem eles produzir aquilo que vimos? Questionava o outro segurando o queixo com o indicador e o polegar da mão direita.

– Tu não sabes? Eles têm em todas as casas indústrias que usam tecnologias de ponta e de fácil maneio. Até as crianças manejam-nas e produzem esse lixo luxuoso com facilidade.



– Vi uma garrafa de gás que caía daquele prédio. Dizia um outro apontando com o indicador da mão esquerda.

– Não era uma garrafa de gás, era um barril de cerveja vazio. Havia uma festa no terraço daquele prédio. Aqui é assim.

– E aquilo que voava seriam pássaros saindo pela varanda do décimo segundo andar por causa do fumo?

– Não. Eram plásticos pretos que constituem embalagens quando se fazem compras nos mercados e o fumo era produzido pela senhora que veio ontem do distrito com muita lenha para a cozinha.

– Então, tu já percebes um pouco do funcionamento deste país? Perguntou o outro.

– Sim, sim. Eu pratico muito comércio com este país e estou quase sempre aqui. É assim mesmo.

O último que falou de si, foi um pouco mais logo:

– Quando chegamos ao edifício onde nos devíamos alojar, vimos que os elevadores se tinham transformado em residências duma família que vinha duma das províncias do norte do país. As escadas se tinham tornado umas autênticas pistas de corridas de ratos e gatos. Enquanto nós subíamos, os ratos e gatos desciam para nos ceder lugar para dormir. Eles são muito gentis.

No segundo minuto da conferência, cada país devia explicar como fazia para se desenvolver social e economicamente. Todos eles explicaram que careciam de matéria-prima para o fabrico de vários bens, utensílios, viaturas, materiais e instrumentos de construção, etc.

Eis a vez do porta-voz do Ministério da Produção de Lixo (MIPROLI) que intervém:

– Bem, estou muito agradecido pela presença de todos. É com muita alegria que descobrimos que vocês apresentam os mesmas dificuldades que nós. Realmente sem matéria-prima nada se pode produzir. Mas, já temos muitos parceiros que colaboram connosco e já conseguimos importar diariamente quase tudo, sobretudo viaturas de fraca duração.

– Mas, Senhor porta-voz, desculpe cortar-lhe a palavra. Que é que se produz nesta cidade capital?

– Portanto, como puderam ver aquando da vossa aterragem, dentre várias outras, muitos carros avariados e enferrujados sobre os passeios de toda a cidade, elevadores avariados, sucata de linha férrea, etc. Tudo isso é matéria-prima made in Maputo para a exportação.  O lixo plástico e outras substâncias mal cheirosas ainda em processo de fermentação são exactamente para o consumo local. Isto é, vocês fornecem matérias-primas, nós fazemos a sua transformação e exportamos para os vossos países.

– Mas como é que fazem isso?

– Nós importamos dos vossos países carros que vocês já não querem e já bem usados, contentores de lixo metálicos, para serem transformados pelos moçambicanos, em matéria-prima para a exportação. O que não der para exportar, fica para abastecer os retalhistas da lixeira de Hulene. Assim abastecemos os vossos países e por sua vez os vossos países abastecem-nos. Isso chama-se cooperação multilateral.

Aplausos infinitos pelo empreendedorismo desenvolvido na grande cidade capital do nosso país.