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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Governo de Moçambique expulsa o cunhado por abuso



A ministra do Trabalho, Emprego e Segurança Social, Vitória Diogo, decidiu interditar o director do Hospital Privado de Maputo, Wynand Kleijnhans, de trabalhar em Moçambique. Esse director, de nacionalidade sul africana, maltratava os trabalhadores moçambicanos desta unidade sanitária.

Mais uma vez a nossa ministra ganha coragem de aplicar a Legislação Laboral para rebentar e espremer os furúnculos que reinam em várias instituições que funcionam em Moçambique. O mais estranho é percebermos que as graves violações da legislação laboral moçambicana são perpetradas por cidadãos estrangeiros. Será por desconhecimento ou por desprezo das instituições aprovadas pela Assembleia da República?
Que as outras instituições infestadas de furúnculos regularizem a sua relação laboral com os trabalhadores e falsos ‘‘prestadores de serviço’’ (que na verdade são trabalhadores em virtude da Lei do Trabalho em vigor no país). Faço ainda apelo para que os representantes das mesmas instituições apresentem comportamentos adequados para evitarem situações semelhantes à essa.
Queremos e gostamos de viver num país em que as belas leis de que Moçambique está munido sejam respeitadas rigorosamente e nada de manobras para contorná-las.
Estamos de olho aberto!
Marcos SINATE

terça-feira, 18 de agosto de 2015

A fuga do Tio Guilherme



Eram sete horas quando o tio Guilherme decidiu acordar e fugir para Inhambane.

-     Esses pretos não têm direito ao salário hoje! Mas quem disse que os pretos tinham direitos? Não lhes dou salário e falo com o meu advogado para ver se ele encontra uma legalidade nisso. Os advogados sempre arranjam uma saída. Muito bem sei que não existe uma relação directa entre o direito e a justiça. Mas quem inventou que os pretos deveriam ter contratos? Esse só nos trouxe problemas. Tenho que fugir brevemente. Mas primeiro mando a minha família e depois fujo eu. Eu sou homem e vou tentar enfrentar esses pretos mas que não toquem na minha família.

O tio Guilherme assim o fez. Viajou com a família para Inhambane e voltou sem ela. Da sua viagem trouxe tapioca, cocos, lanho, sura e bolinhos de sura. É isso que identifica os manhembanes?

-          Meu Deus, tenho que suportar as exigências desses pretos. Quem lhes ensinou a fazer e a interpretar as leis? Os contratos para o preto devem ser feitos sem respeitar as leis laborais. As leis laborais devem funcionar apenas para nós e manipulamo-las como quisermos para o nosso próprio benefício. Usamos o nosso poder económico, social, político e cultural para dominar esses gajos. Esses macacos não têm razão e exigem que eu lhes dê salário mensalmente? Isso não tem cabimento! Eles assinaram conscientemente um contrato que dizia que receberiam as suas remunerações um mês sim e um mês não e que durante o período de férias não teriam salário. Esses pretos não pensam mesmo!

Murmurava dessa maneira o tio Guilherme sentado na poltrona virada para a janela com vista ao Oceano Índico. O sol brilhava muito mais para o titio pois a vida corria-lhe muito bem. O sofrimento dos outros era como gotas de ouro que caiam sobre os seu peito inundado de todo o tipo de maldade e (in)justiça individual.
-          Bem, vou difundir uma informação segundo a qual eu saio daqui deste lugar dentro de alguns anos. Mas, esses pés descalços não verão sequer a minha sombra dentro de alguns dias. Que coisa magnífica! Quando meterem o caso no tribunal, eu já não estarei cá.

Ria-se o tio Guilherme ao projectar os seus planos com vista ao alcance do seu sucesso na fuga.

-          Abro a minha garrafa de champagne e dou umas dentadas nesse delicioso queijo. Tudo isso é da minha terra. Que esses pretos fiquem na sua desgraça. Mas também o preto foi sempre desgraçado! Não sou eu que os vou tirar dessa! Eu devo, mas é, afundá-los cada vez mais na desgraça. A desgraça é a casa deles. Se eles dela saírem, há sérios riscos de eles morrerem pois um trabalho e um salário digno não fazem parte do seu habitat.

Dois meses depois, vimos na televisão e nos jornais da praça que o tio Guilherme tinha sido preso no aeroporto por envolvimento em casos de corrupção. No momento da sua detenção, tentou até corromper o ministro do interior convidando-o a almoçar e a tomar uma garrafa de champanhe.

Neste momento não sabemos qual é o paradeiro do querido tio Guilherme, mas sabe-se que ele não está no lugar onde devia – naquele lugar em que ele veria o sol aos quadradinhos. Ele terá conseguido subornar até o Procurador da República? Não se sabe. Sabe-se apenas que ele não está nas celas e nunca lá esteve. Dizem que fugiu num carro da polícia, escoltado por duas motos que exigiam, nas estradas, que os outros automobilistas cedessem passagem.
 
Assim fugiu o tio Guilhermito. E os pretões ficaram na desgraça comendo as poeiras deixadas pela descolagem do avião que transportou o violador das leis para a sua terra.



-          Esses  pretos achavam que me iam pegar mesmo?

Marcos SINATE